Sábado, 04 de Setembro de 2010      
   Ano 1 - Número 1 - Mês Março      
   Área Restrita
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  Entrevista - José Luiz Majolo - Redação



O mundo precisa e passa por profundas transformações; antigas verdades perdem suas forças, os novos ciclos necessitam de novas atitudes, novos produtos e, até mesmo, novas formas de lazer.

José Luiz Majolo é certamente um ótimo exemplo dessa nova era.

Como muitos de nós, começou sua vida profissional bem cedo, batalhou muito para se formar, trabalhou, trabalhou, até atingir a Vice-Presidência do ABN ANRO e a presidência do Sudameris com mais de 14 mil subordinados e, daí, partir para seu vôo solo como industrial desta nova era, com sua empresa produtora de produtos orgânicos, desengraxantes, voltados para o setor industriual, produtos de limpeza para o lar e de tratamento de ar. Vamos conhecer esse homem, suas idéias e seu lazer; ele é uma referência para muitos de nós.

Free Time

Free Time: Majolo, conte aos executivos que o lêem sua breve historia.

Majolo: Bem, venho de uma família de classe média baixa e comecei a trabalhar com 14 anos; formei-me pela GV onde fiz também meu mestrado, que nunca consegui terminar, e fiz especialização em Harvard. No início, estive nas áreas de crédito, especializando-me em Risk Management. Chase, Bankers, Barkleys, ING e ABN fizeram parte do meu caminho profissional.

Free Time: Conte-nos o que você considera um grande achievment em sua carreira.

Majolo: Essa não é fácil. Tivemos muitas alegrias com o sucesso de nossos projetos sociais, o ABN ganhou basicamente todos os prêmios relacionados ao tema, mas há uma coisa que me deixou exultante: a Universidade de Harvard tem hoje como parte de seus cursos um case sobre sustentabilidade na indústria financeira baseado em nosso banco. Foi quando eu tive a oportunidade de participar da aula inicial na Universidade como um dos que tornaram esse projeto viável, certamente um reconhecimento ao trabalho de nossa equipe e a confiança de que nossa forma de ver as coisas poderia ser um exemplo de nova alternativa de tratar negócios.

Free Time: Onde você vê ligações entre o jovem José e seus negócios e hobbies de hoje?

Majolo: Desde cedo, como quase todos os que viveram nos anos 60/70, liguei-me em movimentos sociais, no sonho idealista de uma esquerda que possibilitaria melhor partilha de bens entre todos. No ABN, dentro da visão do Fabio Barbosa, de que o Banco não estava aqui só para ganhar dinheiro, tive a oportunidade de liderar os projetos sociais que tinham como base o respeito ao meio ambiente, a inclusão social e a sustentabilidade.

Lançamos o microcrédito e uma vasta lista de produtos socioambientais, o que nos fez ganhar diversos prêmios, tanto no Brasil como no exterior. Hoje, tenho um negócio cujo foco é a proteção do meio ambiente e outro que eu considero como hobby, totalmente guiado pelos princípios auto-sustentáveis.

Free Time : Majolo, conte aos executivos que o lêem sua breve historia.

Majolo: Bem, venho de uma família de classe média baixa e comecei a trabalhar com 14 anos; formei-me pela GV onde fiz também meu mestrado, que nunca consegui terminar, e fiz especialização em Harvard. No início, estive nas áreas de crédito, especializando-me em Risk Management. Chase, Bankers, Barkleys, ING e ABN fizeram parte do meu caminho profissional.: Conte-nos o que você considera um grande achievment em sua carreira.: Essa não é fácil. Tivemos muitas alegrias com o sucesso de nossos projetos sociais, o ABN ganhou basicamente todos os prêmios relacionados ao tema, mas há uma coisa que me deixou exultante: a Universidade de Harvard tem hoje como parte de seus cursos um case sobre sustentabilidade na indústria financeira baseado em nosso banco. Foi quando eu tive a oportunidade de participar da aula inicial na Universidade como um dos que tornaram esse projeto viável, certamente um reconhecimento ao trabalho de nossa equipe e a confiança de que nossa forma de ver as coisas poderia ser um exemplo de nova alternativa de tratar negócios.: Onde você vê ligações entre o jovem José e seus negócios e hobbies de hoje?: Desde cedo, como quase todos os que viveram nos anos 60/70, liguei-me em movimentos sociais, no sonho idealista de uma esquerda que possibilitaria melhor partilha de bens entre todos. No ABN, dentro da visão do Fabio Barbosa, de que o Banco não estava aqui só para ganhar dinheiro, tive a oportunidade de liderar os projetos sociais que tinham como base o respeito ao meio ambiente, a inclusão social e a sustentabilidade.Lançamos o microcrédito e uma vasta lista de produtos socioambientais, o que nos fez ganhar diversos prêmios, tanto no Brasil como no exterior. Hoje, tenho um negócio cujo foco é a proteção do meio ambiente e outro que eu considero como hobby, totalmente guiado pelos princípios auto-sustentáveis.

A pousada deve ter propósitos maiores, ajudar as pessoas da comunidade, proteger o meio ambiente e manter a cultura regional, isso é que vai movimentar a roda.

Free Time: Como a revista é focada em lazer, por favor, conte-nos sobre seu Hobby.

Majolo: Bem, tudo começou quando uma área ao lado da minha chácara me foi oferecida e eu a comprei com a idéia de utilização para preservação ambiental, mas acabou ficando claro que, sem um sentido econômico, isso ficaria comprometido. Havia risco de invasão e as pessoas continuavam caçando bugios e pássaros. Em conversas com O Fuad, Duo e minha esposa chegamos à conclusão que uma pousada seria o motor do mecanismo auto-sustentável. Foi a partir daí que o projeto virou meu hobby (O Ronco do Bugio). Toda a construção feita com material de demolição de fazendas mineiras e casas de tropeiros, com desenvolvimento de alimentos orgânicos, tratamento do lixo, formação profissional das pessoas da comunidade e a melhoria do entorno. Hoje mais de 20 famílias se beneficiam do projeto.

Free Time: Mais que um hobby, podemos sentir nisso verdadeira paixão. Estou certo?

Majolo: Pois é, acho que isso se está tornando para mim mais do que um hobby. Acho que tem tudo a ver com uma visão de propósitos. Eu não quero nem acredito na pousada como um meio só de ganhar dinheiro, este é um aproach de business antigo, temos que ter uma visão mais holística: a pousada deve ter propósitos maiores, ajudar as pessoas da comunidade, proteger o meio ambiente, manter a cultura regional, isso é que vai movimentar a roda. Claro que queremos ganhar dinheiro também, mas sem desrespeitar a sociedade nem poluir o meio ambiente. Os governos hoje não têm mais a representatividade de antigamente, e os agentes sociais começam a fazer esse papel. Essa é a nova visão do mundo.

Free Time: Alguma realização que você possa nos contar quanto a esse conceito em relação à pousada?

Majolo: Claro, Walter, o que mais me impressiona é como estamos conseguindo liberar as potencialidades das pessoas! Meu atual chefe de cozinha foi formado pelo Duo, mas era quem cuidava da pia e, hoje, é uma fera das panelas, já tendo sido destaque de uma revista especializada.Temos tambem o caso do Orestes, que cuidou da construção, especialmente da parte das madeiras: ele formou o Paulo, e que assumiu sua posição quando ele resolveu ter seu próprio projeto. Perto da Pousada, construímos um grande galpão que doamos à comunidade, e onde patrocinamos e trazemos cursos para os residentes locais. Procuramos, com isso, melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, preservar os recursos e promover o desenvolvimento da região. Criamos uma associação em que as mulheres fazem crochê e bordados, os homens, cerâmica, e por aí vai. Hoje, eles são os maiores fornecedores de artesanato de nossa loja. Treinamos os adolescentes da comunidade, os quais se tornaram os guias nas trilhas mais longas. Fizemos para as crianças uma cartilha sobre reciclagem e cuidados ambientais. Isso tudo é muito motivador e traz uma recompensa muito grande.

Free Time: E o seu negócio de produtos orgânicos, como surgiu?

Majolo: De uma maneira até engraçada... Estávamos procurando e testando produtos de limpeza para a pousada que não fossem nocivos ao meio ambiente. Um dia, minha filha, almoçando em um restaurante, ouviu uma pessoa ao lado, dizer ter uma pequena indústria onde se dedicava a isso. Por um ano, ele foi nosso fornecedor. Um belo dia, veio nos dizer que estava desistindo do negócio pela pouca lucratividade e dificuldades com investimentos. Resolvi então me associar a ele e criamos a Terpenoil Tecnologia Orgânica. Trata-se de uma empresa de produtos orgânicos cujas substâncias vêm todas de plantas. Temos, atualmente, uma linha para empresas e outra para uso doméstico. A idéia é substituir os produtos químicos, altamente poluentes.

Free Time: Dentro dos temas da revista, o que está mais próximo ao seu dia-a-dia de lazer?

Majolo: Vendo a relação de matérias, existem duas que me encantam: uma é a gastronomia, mas só como gourmet, e, a outra, os vinhos. Claro que, como bom descendente de italianos, a coisa é meio genética. Para os vinhos já dediquei algum tempo a leitura até fazendo um curso de degustação na SBAV, mas como o tema é complexo decidi-me focar apenas em dois países; a Itália e Portugal, embora não deixe de tomar vinhos de outras origens.

Free Time: De que região você mais gosta e qual seria sua dica para nossos leitores.

Majolo: Mesmo tendo minhas origens no Vêneto, gosto mesmo dos vinhos da Toscana, meu vinho do dia-a-dia é o Chianti, e um que eu tomo bastante é o Berardenga; nos dias especiais, parto para um Supertoscano e ai recomendaria o Tignanello, visto o preço do Sassicaia ser salgado demais. Gosto muito também do Piemonte, mas não me sinto ainda preparado tecnicamente para a complexidade dos Barolos, preciso de um pouco mais informação e treino (risos).

Free Time: O que mais você você gostaria de comentar?

Majolo: Acho que as revistas especializadas deveriam dedicar mais espaço para as compatibilizações de vinho com comida, eu sempre digo que não bebo vinho, eu o como, pois meu grande prazer é de combinar os dois. Encontro algumas dicas das combinações clássicas, mas, dificilmente o porquê dessas combinações, isso pode servir como recomendação para a Free Time.

Free Time: Um conselho/dica aos nossos leitores.

Majolo: Ficar atento se cada um está vivendo aquilo em que acredita. Free Time: Obrigado, Majolo, foi um grande prazer conversar com você.

 





 



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