Sábado, 04 de Setembro de 2010      
   Ano 1 - Número 2 - Mês Junho      
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  Descobrindo o prazer de exercita-se



Séculos passam e, ainda hoje, os cientistas realizam pesquisas em busca do entendimento do funcionamento completo do nosso corpo. é provável que chegue o dia em que saibamos os mais intrínsecos detalhes sobre essa “máquina (quase) perfeita”, o que certamente poderá mudar por completo o comportamento das pessoas e, talvez, até faça perder um pouco a graça em sermos humanos. algo assim, como se diz sobre como seria o futebol sem a regra do impedimento na roda de amigos – o jogo perderia a graça. Mas, enquanto a caça ao nobel de ciência continua, vamos falar sobre o que se conhece da relação entre atividade física e prazer.

Chocolate X Pimenta... Sexo X Exercício!

Qual a origem do prazer que alguém pode ter após uma partida de tênis, uma corrida no bosque, uma aula de Body Pump ou algumas braçadas dadas na piscina? Segundo explica a neurofisiologia, essa sensação de prazer e bemestar advinda da atividade física é provocada pela endorfina.
Essa substância química atua como um transmissor, passando informações através dos neurônios. Tem uma qualidade fundamental que a diferencia de outros neurotrasmissores e hormônios produzidos pelo cérebro – ela é a responsável por sensações agradáveis como euforia, relaxamento, bem-estar e prazer. Para ilustrar, sabe aquela sensação gostosa que lhe faz até fechar os olhos ao saborear um tablete de chocolate? Pois bem, é neste momento que a endorfina está circulando em seu corpo. Por outro lado, as pesquisas também encontraram picos de liberação da mesma substância no corpo mediante a ingestão de pimenta.
Isso mesmo, pimenta! Parece contraditório, uma vez que é muito mais comum encontrar alguém que prefira comer chocolate a
comer pimenta.
Para não deixarmos a pimenta mal na história, vamos traçar outro paralelo a fim de encontrar uma provável explicação.
Sexo. O prazer e a sensação de bem-estar percebidos principalmente após uma relação sexual (uma boa relação, de preferência!) também são explicados pela ciência, já que intensas concentrações da nossa “droga do bem” circulam pela corrente sangüínea nesse estágio.
Exercício físico. Comprovadamente, a sensação viciante de euforia e bem-estar pós-exercício também são decorrentes da
produção da tal endorfina em resposta ao esforço físico.
Na opção entre chocolate e pimenta, está claro que poucos de nós preferimos a segunda à primeira opção. O mesmo se aplica no segundo exemplo (sexo X exercício). Pobre pimenta, pobre exercício físico... Cá entre nós, ainda bem que não existem
estudos que mostram se as pessoas mais comem chocolate ou mais praticam sexo!

O fato é que há pessoas fanáticas por chocolate, por sexo, outras por exercício e... bem... por pimenta eu quase não conheço nenhuma. E antes que adentremos no tema de nossa próxima coluna, vamos fechar a abordagem fisiológica deste assunto com os principais benefícios da endorfina no organismo:
• Melhora a memória;
• Melhora o estado de espírito (bom humor);
• Aumenta a resistência;
• Aumenta a disposição física e mental;
• Melhora o sistema imunológico;
• Bloqueia lesões nos vasos sanguíneos;
• Tem efeito anti-envelhecimento,
pois ajuda na remoção dos radicais livres;
• Ajuda a aliviar dores.

Enquanto isso, na filosofia...

O hedonismo é uma doutrina nascida ainda na Grécia antiga e cujo conceito visa à busca do prazer. Num entendimento mais moderno, é entendida como felicidade individual ou coletiva e o repúdio a tudo o que é desagradável e pode levar a um estado de depressão (anedonismo, que é o antônimo do hedonismo).
Podemos dizer também que o hedonismo é a arte de ser, não a de ter. E a arte de ser é a sabedoria de não se cobrir de honras, de dinheiro, de riquezas, de poder, de glória e outros falsos valores ou virtudes, mas preferir a liberdade, a autonomia, a independência.
Mas, por que buscar essa tão longínqua fonte? Essa deve ser a sua pergunta agora. Simples. Entre os estados de desequilíbrio que afetam o homem do nosso século, a depressão é um  que aparece com grande freqüência. E ainda que, numa análise consideravelmente pouco aprofundada desse tema, intrigar-se com que benefícios se pode trazer para a saúde uma correlação entre endorfina e hedonismo, no mínimo é um exercício de reflexão interessante e que pode motivá-lo a tomar atitudes mais positivas e, sobretudo, saudáveis para si próprio.
A partir desse tema, não pretendo apontar um caminho conclusivo para a relação entre prazer, bem-estar e a adoção de hábitos saudáveis no nosso comportamento. Embora isso seja uma lógica, quando falamos de mudança de hábitos, a influência racional pouco surte qualquer efeito duradouro. Assim, se estamos falando de sentimentos (prazer, bem-estar, euforia), é mesmo a prática, a ação, o botar o corpo para se mexer que vai fazer você se convencer de que vale à pena buscar entrar em forma.
Meu objetivo, portanto, é estimular o prezado leitor a fazer um exercício (também no sentido literal!) e perceber com seu próprio corpo que, além do chocolate ou do sexo, temos outras fontes de boas sensações e para a promoção de nossa saúde.
Que seja através da descoberta de uma atividade física que o atraia e o faça sentir-se bem, mas caso seja pela pimenta, por favor me conte para que eu registre mais um caso do tipo.





 



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