Redação
Nesta edição conversamos com Wolf Vel Kos Trambuch, que juntamente com sua esposa Olga, idealizou o Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural – entidade que atua com jovens e adultos com deficiência intelectual e tem como principal objetivo ampliar o acesso à cultura e desenvolver a criatividade através da arte e do esporte.

1) Quando e como surgiu a ideia do Instituto Olga Kos?
A ideia surgiu visando oferecer a oportunidade de convivência com o mundo das artes a pessoas com deficiência intelectual. Nessa área conhecemos apenas trabalhos que não vão muito além da arte-terapia e da terapia ocupacional. Nós queríamos a arte pela arte, como forma de aprendizado e não terapia.
2) Como é feita essa “triagem”?
A “‘triagem”’ é feita pela instituição parceira. Eles elegem os alunos mais dotados artisticamente e nossa equipe se ocupa em desenvolvê-los. Quanto ao esporte, as famílias inscrevem seus filhos voluntariamente e, após exames médicos e físicos, os alunos são aprovados. Vale ressaltar que, existem síndromes para as quais determinadas atividades físicas podem não ser adequadas, por isso temos como parceira, uma equipe de medicina esportiva.
3) Quais são seus objetivos principais?
Queremos uma sociedade mais justa, mais igualitária em termos de oportunidades. Como pessoas, somos todos diferentes uns dos outros, nos direitos somos todos iguais !
4) Fale-nos um pouco sobre os projetos do Instituto.
Temos 4 projetos: a) Resgatando Cultura, – uma publicação de divulgação de obras de artistas contemporâneos. Como reciprocidade, os artistas dão oficinas de arte para o projeto Síndrome do Respeito; b) Pintou a Síndrome do Respeito , – oficinas de arte cujo objetivo e abrir canais de comunicação das pessoas atendidas e através da nossa equipe multidisciplinar traçar o perfil dos participantes e buscar colocação no mercado de trabalho; c) Geração de renda: as obras de artes são vendidas e parte de arrecadação vai para os alunos; d) Esportes – sociabilidade, equilíbrio, hierarquia, respeito e segurança.
5) Seus objetivos foram/estão sendo alcançados?
Estão sendo alcançados e reconhecidos. Em 2009, ganhamos o “Mais Cultura” sendo a única instituição com nota 100 na região Sudeste. Ganhamos a Ordem do Mérito Cultural. Fomos cadastrados como Ponto e Pontão de Cultura. Além destes prêmios, recebemos a cada dia pequenos bilhetes / e-mails de pais e jovens, relatando como suas vidas mudaram. O bem- estar da competência é algo muito valioso, e acredito que seja este o nosso maior trabalho, revelar o sentimento de competência a algumas pessoas que nunca o tiveram.
6) Como é trabalhar com arte e esporte com pessoas com dificuldades intelectuais?
As respostas dadas pelos participantes dos nossos programas são surpreendentes, e imediatas a todo o tipo de aprendizado. Os alunos são aplicados, interessados e criativos, temos muito prazer em trabalhar com eles. É como trabalhar com qualquer pessoa que não seja visto com dignidade em nossa sociedade, é resgatar a dignidade desta pessoa como cidadão.
7) Sua esposa Olga também foi a idealizadora, juntamente com o senhor. Atualmente ela assumiu a presidência. Por quê?
Desde o início ela apoiou, participou, organizou e incentivou a formação e a idealização do IOK, ela é a responsável pelo nível de qualidade do instituto e assumirá a presidência neste ano, pois outras atividades impedem uma maior dedicação minha , enquanto sua dedicação é integral. Dona Olga complementa: “ Atualmente me sinto mais próxima de tudo, depois de um período de ‘estágio’ com meu marido, aprendi o caminho das pedras e hoje me sinto mais preparada para assumir o todo”.
8) Existe algum objetivo de inclusão no mercado de trabalho? Em que tipo de trabalho/empresas?
O objetivo é acabar com o preconceito, as pessoas com deficiência intelectual são capazes de fazer todo o tipo de trabalho em qualquer empresa; . Acreditamos que cada pessoa tenha algo a oferecer a alguém, é ai que entramos, buscando tirar o melhor das pessoas para que possam gozar de uma vida plena.
9) A família dessas pessoas também participa, ou recebe alguma orientação especial?
Participam através das exposições, reuniões e palestras. Nosso compromisso é diretamente com nossos alunos, mas como em um círculo que se fecha, todos acabam recebendo benefícios. Se meu filho está feliz, eu me sinto muito mais feliz, não é assim?
10) Como o Instituto se mantém?
Através da Lei Rouanet, Lei dos Esportes e venda de livros; . Com muito trabalho e dedicação de todos e, claro, envolvendo a comunidade para abraçar a nossa causa que, acredito, seja uma causa da humanidade: uma sociedade justa e livre de preconceitos.
11) Como relaxa em seus momentos de lazer?
Sou um homem de família, jantares e reuniões com ela trazem momentos muito prazerosos; me sinto muito bem em encontros com amigos, e finalmente gosto muito de ler, leio 4 jornais por dia, todas as revistas semanais e especialmente livros sobre a historia da civilização, pois lendo o passado e olhando o presente temos uma visão mais clara dos ciclos e de como o futuro poderá ser .
12) Possui algum hobby ou coleção?
Sou um apaixonado por arte, consequentemente tenho uma respeitável coleção de arte. Tudo começou com as gravuras e desenhos e depois se alastrou para a pintura . Tenho hoje por volta de 1.200 obras compradas ao longo de minha vida, e citando alguns artistas que aprecio tenho: Di Cavalcanti, Djanira, Chagall, Salvador Dalí, Fulvio Pennachi, Flávio de Carvalho, Aldemir Martins, Fang , Wakabayashi, Tomie Ohtake, Gustavo Rosa e outros. É muito gratificante apreciar o belo, e a criação de cada artista é algo único. Agora estou doando minha coleção para o instituto para, em um futuro próximo, compartilhar todas estas maravilhosas obras com um público maior.
13) Se interessa por gastronomia ou vinhos?
Quem não gosta de um bom vinho e uma boa comida? Sou fanático por bons restaurantes e meus favoritos são o Antiquarius, Piselli , Rodeio, Parigi, os restaurantes do Sérgio Arno, D.O.N e Dui. Quanto aos vinhos, sou apreciador de vinhos portugueses e franceses, especialmente dos tintos.
14) O que mais gosta de fazer?
Gosto muito de viajar e conhecer as diferentes culturas. Normalmente quando viajo faço questão de encontrar minha filha que vive na Europa, cada vez em um país diferente, são momentos muito especiais para mim.
15) Finalizando, qual seria a mensagem que o senhor gostaria de deixar para os nossos leitores?
Compartilhem conosco desse projeto, vamos oferecer um mundo melhor a nossos netos e bisnetos. Temos projetos de cunho cultural e esportivo, quem tiver interesse em nos conhecer melhor ou ajudar, entre em contato com dona Virna Muñoz, e ela terá muito prazer em atendê-los. Acesse o www.institutoolgakos.org.br para mais informações. Obrigado.