Mariângela M. Forni
mariangelamforni@terra.com.br
Pescaria no Pantanal

Seria ousadia da minha parte tratar em verso e prosa uma pescaria no Pantanal?
Já se dizia que a natureza nunca mais foi a mesma depois de passar pelas frases do nosso maior poeta-escritor brasileiro vivo, Manoel de Barros (hoje com seus 92 anos), matogrossense e pantaneiro de chapa e cruz, como ele mesmo gosta de se autointitular. Manoel de Barros discorre em um de seus inúmeros versos sobre o Pantanal:
“No Pantanal ninguém pode passar régua... sobre muito quando chove. A régua é existidura de limite. E o Pantanal não tem limites”.
Assim, diante da estonteante beleza e mansidão do rio Paraguai, ladeado pelo verde do mato, com árvores repletas de pássaros (colhereiros, cabeças-secas e martins-pescadores), muitas delas inclinadas em comunhão plena com a água, formando frescos e bucólicos remansos, perfeitos para uma arguciosa observação pantaneira, somos obrigados a concordar com o nosso grande poeta: o Pantanal parece não ter limites!
O roteiro parte de Corumbá, cidade situada próximo à fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia, às margens do rio Paraguai. Por ter 60 por cento do seu território ocupado pelo Pantanal, é considerada a capital do Pantanal e já foi o terceiro maior porto fluvial da América Latina. Dessa época, Corumbá guarda preciosos casarões em estilo europeu tombados em 1992 pelo Patrimônio Histórico Nacional.
A bordo do majestoso barco-hotel Millenium - que possui solário, ampla sala refrigerada dividida em vários ambientes (restaurante, bar, sala de estar com tevê, som e videokê), confortáveis cabines com banheiro e ar-condicionado, e uma tripulação que não mede esforços para coroar esta aventura - partimos rio afora, navegando por esse santuário ecológico!
Antes do dia amanhecer, os pescadores partem em lanchas velozes, conhecidas como voadeiras, com capacidade para no máximo quatro pessoas incluindo o piloteiro, que vestido de vaidade aponta ora uma legião de jacarés, ora capivaras pastando, e com sua destreza ainda nos socorre com os anzóis e iscas, demonstrando profunda habilidade e conhecimento do rio e dos peixes, nos convencendo que a pesca habita profundamente sua alma...
Com o passar do tempo e sem nos dar conta, somos envolvidos com os “causos” de pescador e somos flagrados no final do dia “proseando” por muito tempo sobre os nossos feitos, muitos verdadeiros, como um pacu de 26 kg , e outros que nunca saberemos se foi história ou não... como ouvimos sobre uma tremenda briga com o “bicho”, porém na hora de tirar da água, acabou arrebentando a linha!
A viagem para os que não são amantes da pescaria possui o mesmo encanto, pois a bordo dessas voadeiras podemos realizar maravilhosos passeios por horas e horas, e em estado de graça pelo famoso voo do tuiuiú e pelo ronco dos macacos bugios, observamos passar por nós imagens simples da vida pantaneira, como uma pitoresca embarcação chata-curral ou boieiro que serve para o transporte de gado na região e outras voadeiras, que recolhendo gente e mercadorias, facilitam a lida da comunidade ribeirinha. São as “elegâncias do acaso” que nos deixam agradavelmente surpreendidos!
A serenidade dessa paisagem que embala o lento caminhar do rio convive harmoniosamente com as vitórias-régias e os imensos camalotes que desprendem dos aguapés e deslizam rio afora, pintando o Paraguai de verde...
E quando já plenos de contentamento e totalmente identificados com a natureza, a geografia plana do Pantanal se encarrega de nos sucumbir com um pôr-do-sol digno de lembranças nostálgicas! Um Luxo!

Quando Ir
O Pantanal tem épocas de chuva e seca. A chuva vai de outubro a março, sendo janeiro o mês mais chuvoso, assim a água leva comida para todo canto, privilegiando os animais, que têm mais chance de obter alimentos se espalhando. A seca vai de maio a setembro. A partir de julho, com a escassez da água, as chances de ver bichos são maiores, e as árvores se tornam imensos ninhais. “Mas o Pantanal é lindo em qualquer época do ano!
Pesca
A pesca é liberada de março a outubro, ficando proibida entre novembro e fevereiro, período da piracema. É preciso uma autorização do Ibama,obtida via site:
www.ibama.gov.br
Barco
Millenium - Tel 67- 3231-3372
www.opantaneirotur.com.br
Restaurante
Comida Típica
Ceará
Rua Albuquerque 516 tel (67) 3231-1930
Corumbá
