Sábado, 04 de Setembro de 2010      
   Ano 1 - Número 1 - Mês Março      
   Área Restrita
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  Água-que-passarinho-não-bebe - Redação



Cachaça, arranca-bofe, tiririca, amansa-sogra, abrideira, chorumela, mel, branquinha... esses são alguns nomes dados à nossa conhecida pinga.

Bebida alcoólica tipicamente brasileira, pertence à família das aguardentes. Seu processo de fabricação inicia-se com a moagem ou prensagem da cana, que produz um caldo ao qual se adiciona água, resultando no mosto. Sob efeito de leveduras, o mosto entra em processo de fermentação. Depois da decantação, na qual separam-se as borras, processa-se a destilação num alambique. Aliás o nome - pinga - vem do fato de que, durante a produção, o vapor do caldo de cana fermentado se condensa e pinga dentro dos tonéis. Nessa edição, entrevistamos Antonio Luiz Teixeira de Barros Jr., carinhosamente conhecido como Totó, um apaixonado por coleções e dono de uma respeitável coleção de pingas (expostas numa sala em ordem alfabética e por estado) em sua fazenda em Mogi-Mirim.

Como surgiu a idéia de colecionar pinga?

R: A idéia surgiu há quatro anos, quando ofereci aos amigos vizinhos da fazenda algumas cachaças antes do almoço. Consideraram-me um especialista pela alta qualidade, embora fosse absolutamente neófito. Isso me estimulou a conhecer mais e, com o tempo, confirmar a opinião dos amigos.

Fale um pouco sobre a sala criada para guardá-las.

R: Como a quantidade foi aumentando e com o objetivo de obter um espaço utilizável socialmente, fizemos uma adaptação em um depósito inútil próximo da sede, onde se colocaram prateleiras e, posteriormente, gôndolas. Como as cachaças são todas tomáveis, tentamos criar um local aprazível.

Quantos itens tem sua coleção?

R: Temos para exibição e degustação cerca de duas mil garrafas.

Você nos disse que coleciona mais itens, quais são?

R: As coleções me acompanham desde a infância e, hoje em dia, temos peixes artesanais, miniaturas de cavalos, oratórios, cristais artesanais dos anos 20, taças de cristal e peças pré-colombianas. Trata-se, portanto, de um mal genético.

Onde costuma comprar novos itens?

R: A busca é constante e oriunda de lojas especializadas, viagens, fornecedores do ramo que me ajudam, compra de outras coleções, visitas a mercados, amigos, trocas esporádicas com outros colecionadores, enfim, sendo um produto popular, não há limites para a busca.

Procura ou é ao acaso?
Existe alguma história interessante sobre alguma compra?


R: O acaso é acidental e a busca é sempre incessante. Registramos que não temos garrafas iguais do mesmo produto, exceto se as origens forem diferentes.
´Lembro-me que, por ocasião de compra de uma coleção, vieram mais de 100 garrafas com rótulos excessivamente vulgares e chulos, que foram diretamente para o lixo.

Qual é o item mais caro?

R: A cachaça mais cara é a Havana. Como pessoalmente considero seu preço apenas justificável como estratégia de marketing, não a tenho. Provavelmente, a mais cara de todas e mais luxuosa, é uma edição limitada de Sagatiba, e como ganhei de um grande amigo, jamais tive interesse pelo preço.

E o item mais raro?

R: Não tenho como avaliar as raridades, pois muitas não mais existem, fabricadas há mais de meio século.

Costuma bebê-las?

R: Não sou um bebedor de pingas ou cachaceiro. Costumo experimentá-las na medida do possível e do bom senso, e sempre em boa companhia.

Existe alguma associação de colecionadores?

R: Existem associações e clubes, dos quais não participo por exclusiva falta de oportunidade, tempo e distância. Aos interessados, aconselho usar a internet para identificá-las.

 





 



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