Segunda-Feira, 06 de Setembro de 2010      
   Ano 1 - Número 5 - Mês Novembro      
   Área Restrita
Senha
Aconteceu

  Da Raposa/Serra do sol




Dois assuntos recorrentes estão reebendo comentários diversos, são eles: a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol e as comemorações do Centenário da Imgração Japonesa.
O que uma coisa tem a ver com a outra? Quase nada! Mas um ponto em comum pode ser levantado, ambos lidam com aspectos da Cultura, entendida como o conjunto de padrões de comportamente, crenças, conhecimentos, costumes, etc. que distinguem um grupo social.
Com a Raposa/Serra do Sol o ponto mais discutido é: se deve ser contínua ou em forma de “ilhas” a demarcação do território a ser destinado aos Macuxi. Das teses defendidas vêem-se, principalmente as conseqüências para o lado de cá, isto é, a integridade e riscos do território brasileiro! Tudo perfeito do nosso ponto de vista, entretanto, pouco é discutido com relação a preservação da Cultura dos índios que lá habitam e o que dela podemos assimilar... se é que podemos.
É extremamente difícil preservar a cultura de um pequeníssimo grupo social que pretende conviver experimentando hábitos e costumes de um outro, supostamente mais evoluído e seguramente maior. O desejo de integração fica demonstrado na declaração de um dos líderes indígenas, a de que: “as nossas moças querem freqüentar as festinhas dos brancos” e não se propõem a viver em uma redoma e servir de vitrine a curiosos.
A atração que as diferenças de recursos financeiros e tecnológicos exercem levará, inevitavelmente, à total miscigenação, ou no atual conceito ao “salad bowl”. A preservação individual da Cultura Macuxi, no longo prazo é praticamente impossível e logo estaremos integrados, não haverá barreira isolacionista, seja ela contínua ou em ilhas, eficaz para tal. Mas que valha o esforço das propostas e a discussão do assunto!
E a imigração japonesa? Bem, ela está em festa comemorativa de seus cem anos!
Da convivência com os imigrantes japoneses conhecemos e em alguns casos assimilamos uns cem números de coisas, desde um exemplo de árdua dedicação ao trabalho, costumes que enaltecem respeito mútuo e aos mais velhos, sabedorias milenares e, principalmente, o que quero aqui abordar, a cultura gastronômica.
Uma culinária muito peculiar que no início nos parecia exótica, mas que aos poucos vem se tornando cada dia mais familiar ao paladar brasileiro. Antes de entrar na culinária quero comentar a cultura do boneco huto. Diz a lenda japonesa que se você ganhar um huto, um boneco que vem sem os olhos, você deve pensar um desejo e então desenhar um olho e quando alcançar o desejo, desenhar o outro olho. Com os dois olhos, dá-se lugar de destaque na casa para mostrar um clima de felicidade pelo desejo alcançado! Bonitinho, embora a estética do boneco, uma espécie de “joão
bobo”, sem olhos ou com um só olho seja meio curioso! Mas o ideal é que o tempo de “espera” seja o menor possível!
Voltando à culinária japonesa, ela é considerada a mais sof isticada do mundo!

 Sorte a nossa, pois aqui em São Paulo, podemos nos deliciar com essas iguarias em um grande número de restaurantes. A prática da culinária japonesa entre nós apos a imigração, veio enriquecer
e muito, nossa gastronomia principalmente a paulistana, pois São Paulo é hoje a maior “cidade japonesa” fora do Japão!
Pois bem, falando em huto, conheci o restaurante Huto, do Fábio Yoshida Honda. Neto de japoneses, morou no Japão mais precisamente em Nagoya durante três anos e meio para lapidar seus conhecimentos na culinária japonesa e também trabalhou, estudou e aprimorou durante seis anos e meio no restaurante do Jun Sakamoto suas habilidades e conhecimento com o reconhecido mestre!
Conversando com Fábio fiquei sabendo, por exemplo, que o sashimi, que inúmeras vezes solicitei nos restaurantes japoneses, na verdade não é um prato e sim um acompanhamento! Vivendo e aprendendo... Aprendi também que o saquê Jun Mai Daí Ginjo é o mais preferido e 100% puro. Que o arroz para fazer sushi é importado tal como inúmeros outros ingredientes utilizados em seu restaurante.
Paralelamente a estas curiosidades fizemos, sob o comando do Chef Adriano, uma incursão pelos Sushis, uma festa de opções, desde os convencionais de arroz coberto com os peixes aos Hossomakis, Uramakis e Tamakis. Destaque ao Sushi de ostra que ganha o nome de Gunkan ou o Uni, o sushi de ouriço! Uma especialidade tão diferente que você vai amálo ou odiá-lo! Mas é bom experimentar...
E por falar em experimentar, provamos o Chawanm ushi uma outra especialidade da casa feita com ovo e servida em uma espécie de cumbuca.
Para acompanhar as iguarias japonesas, os clientes de origem oriental o fazem, normalmente, com chá verde, ou saquê. O vinho não tem grande “ibope” mas confesso que diversos pratos poderão sim, serem acompanhados de vinhos principalmente os brancos leves e frescos, e sem dúvida os espumantes e também com alguns tintos também leves, mas tudo dependendo do gosto de cada um. Uma interessante Carta de vinhos está sob a responsabilidade da consultora de vinhos Fernanda Teixeira e está tão boa que espero crie bons hábitos às refeições japonesas! Ia me esquecendo, gostei muito do Nametake que é um micro-cogumelo japonês servido dentro de um limão taiti e temperado com algas...é muito gostoso!
O Huto tem um ambiente aconchegante, com mesas espalhadas entre duas salas e o infalível Sushi bar entre elas. Nas mesas o clima pode ficar mais intimista do que normalmente se consegue na bancada do bar. Emfim, as opções são ótimas! Vale conhecer, satisfazer um desejo e, desenhar o segundo olho no boneco huto!

 





 



© Copyright 2009 - Revista Free Time - Todos os direitos reservados - Proibido qualquer tipo de reprodução sem prévia autorização.
Calçada dos Antares, 248 Sala 21 - CEP 06541-065 - Santana de Parnaíba - Desenvolvido por Home Virtua Solutions